1. Interjeições excessivas? Evite-as!!!!
  2. Não abuse de metáforas futebolísticas. Esse tipo de tabelinha com a linguagem do futebol nem sempre satisfaz a galera. O leitor pode se sentir driblado e dar cartão vermelho para o escritor, mandando-o antes do tempo para o chuveiro.
  3. Falhas na concordância denuncia falta de conhecimento gramatical. Evite-a.
  4. Não misture as pessoas gramaticais. Tu podes pode fazer isso quando usares a linguagem coloquial, mas nunca em sua redação para vestibular ou concurso. Nela escrevemos com alguma formalidade e você tem que seguir a norma culta.
  5. Das inversões fuja. Comprometem elas das idéias a clareza.
  6. Evite repetições, pois elas dão a impressão de que o texto não progride. Repetir gera no leitor a sensação de que as idéias ficam no mesmo lugar, não evoluem. Quem repete permanece no mesmo círculo de idéias e faz o texto circular em torno de um mesmo tema, sem sair do canto.
  7. Tenha cuidado ao usar as reticências, pois elas… lacunas no pensamento e… sem saber direito o que o autor quer dizer.
  8. As longas intercalações entre sujeito e predicado, por fazerem o leitor esquecer o que o que foi dito no início, levando-o a suspender a leitura e ter de reler toda a frase, o que termina prejudicando a compreensão do texto como um todo, devem ser evitadas.
  9. Evite exageros. A hipérbole é o pior entre os piores pecados que podem acometer um escritor em todos os tempos.
  10. Há que escoimar o texto de vocábulos preciosos ou pernósticos. O uso de tais palavras é próprio dos alarves e apedeutas. Indica, outrossim, uma mente deslumbrada com as reverberações de um saber despiciendo, que leva a conclusões inanes sobre os transcendentais enigmas do Homo sapiens.
  11. Prefira a linguagem denotativa; ela é um lago transparente de onde emerge com clareza o sentido das palavras.
  12. Evite em seu texto manifestar preconceito contra as mulheres. Do contrário, elas vão reclamar de você o tempo todo sem lhe dar chance de se defender. Mulher – todo o mundo sabe – não tem paciência para compreender as razões do outro e termina transformando o que deveria ser um diálogo esclarecedor num monólogo interminável – em que, obviamente, só ela fala.
  13. Medite nesta verdade preciosa: rima é bom em poesia, não em prosa.
  14. Fuja dos enunciados vagos e genéricos. Eles dão aquela sensação de algo que não se sabe bem o que é, embora todos de alguma forma já tenham sentido em certos momentos da vida. Alguns têm disso uma longínqua idéia, mas só conseguem defini-la em determinados contextos ou por algum tipo de sugestão diferente da que experimentaram no início, antes de tudo fazer sentido. Ou não.
  15. Ao estar fugindo do gerundismo, você não estará fazendo mais do que sua obrigação. Vá ficando atento.
  16. Você acha que o excesso de perguntas retóricas torna mais eficiente o seu texto? Será que elas necessariamente facilitam o diálogo com o leitor? Ou podem deixar o discurso redundante, sugerindo questões que na verdade não existem? Não será melhor usar frases afirmativas, deixando logo claro o que se quer dizer?
  17. Portanto, não inicie o texto pela conclusão. Comece-o mesmo pelo começo, apresentando o tema e depois os argumentos.
  18. Um texto com excesso de “que” parece que tropeça a cada momento e mostra que a pessoa que o produz tem que melhorar o ouvido.
  19. Sem essa de gírias, mano. Se você, tipo assim, se amarra nesse tipo de modismo, mostra que não tá com nada. Com certeza.
  20. Seja evitado em sua redação o excesso de voz passiva analítica, para que você não seja visto pelo leitor como alguém a ser desprezado.
  21. É bom moderar o uso da mesóclise. O bom escritor evitá-la-á em nome da simplicidade, pois a colocação do pronome no meio do verbo trar-lhe-ia aspereza acústica e transformá-lo-ia num monstrengo aos ouvidos de hoje.
  22. Evite. Fragmentar o período. Pois isso é uma grave falha. Gramatical e estrutural.
  23. Sei que é difícil fugir das frases feitas, mas faça um esforço. Água mole em pedra dura tanto bate até que fura.

O texto acima é de autoria de Chico Viana, acesse Blog de Chico VianaDicas de estilo (sem estilo)

Vírgula - Usos e Regras

A vírgula é um dos elementos que causam mais confusão na língua portuguesa. Pouca gente sabe ao certo onde deve e onde não deve usá-la. O motivo disso é bem simples: sempre nos ensinaram do jeito errado!

Você deve lembrar da sua professora falando coisas como “a vírgula é usada para indicar pausa”, “prestem atenção em como vocês falam, quando tiver pausa, usem vírgula”. Isso é besteira, pois cada um de nós fala de um jeito diferente, usa pausas diferentes e, basicamente, decide como quer falar.

Mas não podemos simplesmente decidir onde vai e onde não vai vírgula. Ela tem poder demais para ser arbitrária. Quer ver o poder da vírgula? Assista esse vídeo:

Viu como a vírgula é importante?

Pois bem, existem algumas regras para o uso da vírgula, e elas são baseadas na gramática. Deu medo, né? Calma, o meu objetivo aqui é mastigar a gramática pra que você não estrague seus dentes ;-)

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1. Use a vírgula para separar elementos que você poderia listar

Veja esta frase:

João Maria Ricardo Pedro e Augusto foram almoçar.

Note que os nomes das pessoas poderiam ser separados em uma lista:

Foram almoçar:

  • João
  • Maria
  • Ricardo
  • Pedro
  • Augusto

Isso significa que devem ser separados por vírgula na frase original:

João, Maria, Ricardo, Pedro e Augusto foram almoçar.

Note que antes de “e Augusto” não vai vírgula. Como regra geral, não se usa vírgula antes de “e”. Há um caso específico que eu explico daqui a pouco. Um outro exemplo:

A sua fronte, a sua boca, o seu riso, as suas lágrimas, enchem-lhe a voz de formas e de cores… (Teixeira de Pascoaes)

2. Use a vírgula para separar explicações que estão no meio da frase

Explicações que interrompem a frase são mudanças de pensamento e devem ser separadas por vírgula. Exemplos:

Mário, o moço que traz o pão, não veio hoje.

Dá-se uma explicação sobre quem é Mário. Se tivéssemos que classificar sintaticamente o trecho, seria um aposto.

Eu e você, que somos amigos, não devemos brigar.

O trecho destacado explica algo sobre “Eu e você”, portanto deve vir entre vírgulas. A classificação do trecho seria oração adjetiva explicativa.

3. Use a vírgula para separar o lugar, o tempo ou o modo que vier no início da frase.

Quando um tipo específico de expressão — aquela que indica tempo, lugar, modo e outros — iniciar a frase, usa-se vírgula. Em outras palavras, separa-se o adjunto adverbial antecipado. Exemplos:

Lá fora, o sol está de rachar!

“Lá fora” é uma expressão que indica “lugar”. Um adjunto adverbial de lugar.

Semana passada, todos vieram jantar aqui em casa.

“Semana passada” indica tempo. Adjunto adverbial de tempo.

De um modo geral, não gostamos de pessoas estranhas.

“De um modo geral” é sinônimo de “geralmente”, adjunto adverbial de modo, por isso vai vírgula.

4. Use a vírgula para separar orações independentes

Orações independentes são aquelas que têm sentido, mesmo estando fora do texto. Nós já vimos um tipo dessas, que são as orações coordenadas assindéticas, mas também há outros casos. Vamos ver os exemplos:

Acendeu um cigarro, cruzou as pernas, estalou as unhas, demorou o olhar em Mana Maria. (A. de Alcântara Machado)

Nesse exemplo, cada vírgula separa uma oração independente. Elas são coordenadas assindéticas.

Eu gosto muito de chocolate, mas não posso comer para não engordar.

Eu gosto muito de chocolate, porém não posso comer para não engordar.

Eu gosto muito de chocolate, contudo não posso comer para não engordar.

Eu gosto muito de chocolate, no entanto não posso comer para não engordar.

Eu gosto muito de chocolate, entretanto não posso comer para não engordar.

Eu gosto muito de chocolate, todavia não posso comer para não engordar.

Capiche? Antes de todas essas palavras aí, chamadas de conjunções adversativas, vai vírgula. Pra quem gosta de saber os nomes (se é que tem alguém), elas se chamam orações coordenadas sindéticas adversativas. (medo!)

Agora só faltam mais duas coisinhas:

Quando se usa vírgula antes de “e”?

Vimos aí em cima que, como regra geral, não se usa vírgula antes de “e”. Tem só um caso em que vai vírgula, que é quando a frase depois do “e” fala de uma pessoa, coisa, ou objeto (sujeito) diferente da que vem antes dele. Assim:

O sol já ia fraco, e a tarde era amena. (Graça Aranha)

Note que a primeira frase fala do sol, enquanto a segunda fala da tarde. Os sujeitos são diferentes. Portanto, usamos vírgula. Outro exemplo:

A mulher morreu, e cada um dos filhos procurou o seu destino (F. Namora)

Mesmo caso, a primeira oração diz respeito à mulher, a segunda aos filhos.

Existem casos em que a vírgula é opcional?

Existe um caso. Lembra do item 3, aí em cima? Se a expressão de tempo, modo, lugar etc. não for uma expressão, mas sim uma palavra só, então a vírgula é facultativa. Vai depender do sentido, do ritmo, da velocidade que você quer dar para a frase. Exemplos:

Depois vamos sair para jantar.
Depois, vamos sair para jantar.

Geralmente gosto de almoçar no shopping.
Geralmente, gosto de almoçar no shopping.

Semana passada, todos vieram jantar aqui em casa.
Semana passada todos vieram jantar aqui em casa.

Note que esse último é o mesmo exemplo do item 3. Vê como sem a vírgula a frase também fica correta? Mesmo não sendo apenas uma palavra, dificilmente algum professor dará errado se você omitir a vírgula.

Não se usa a vírgula!

Com as regras acima, pode ter certeza de que você vai acertar 99% dos casos em que precisará da vírgula. Um erro muito comum que vejo é gente separando sujeito e predicado com vírgula. Isso é errado, e você pode ser preso se for pego usando!

Jeito errado:

João, gosta de comer batatas.

Alice, Maria e Luíza, querem ir para a escola amanhã.

Jeito certo:

João gosta de comer batatas.

Alice, Maria e Luíza querem ir para a escola amanhã.

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Exercício sobre vírgula e pontuação

O seu Alfredo estava já no fim da vida e escreveu seu testamento. Infelizmente, ele esqueceu da pontuação, e o texto ficou assim:

Deixo minha fortuna a meu sobrinho não à minha irmã jamais pagarei a conta do alfaiate nada aos pobres

Reescreva o testamento 4 vezes, de forma que em cada uma delas você deve dar a herança pra alguém diferente. Você pode usar qualquer sinal de pontuação, mas não pode mudar as palavras.

É um exercício legal e tem várias formas de resolver. Escrevam suas tentativas aí nos comentários.

Antes de começar o Português? É fácil! eu já tinha outro blog: o Lendo.org. Ao longo do tempo, escrevi vários textos por lá que podem ajudar a melhorar sua escrita.

Quer aprender ainda mais sobre como escrever melhor? Invista em sua carreira e faça o curso online de Redação e Escrita, um dos melhores do Brasil!

Para quem não conhece, aqui vai a lista com os links para os textos:

  • 27 dicas para escrever bem: Bem conhecidas pela internet, essas dicas usam o recurso da contradição para causar efeito. É muito engraçado e instrutivo.
  • 15 exercícios para melhorar sua escrita: A escrita não é um dom divino. Para melhorar é preciso praticar. Aqui tem alguns exercícios bem interessantes.
  • 12 exercícios para melhorar seus diálogos: Mais exercícos, esses para melhorar os diálogos entre os personagens da sua história.
  • Como escrever e pensar com maior clareza e aprender mais facilmente: Para escrever bem, é preciso pensar bem. Mas como organizar suas idéias?
  • O Processo de Escrita: Planejamento: Aprenda a planejar seu texto antes de começar escrever.
  • O Processo de Escrita: Rascunho: Como escrever o primeiro rascunho de uma idéia.
  • O Processo de Escrita: Revisão: Como revisar seu texto e eliminar erros básicos.
  • O Processo de Escrita: Edição: A edição envolve principalmente os aspectos estéticos do texto — tipo de fonte, cores, etc.
  • Como escrever uma resenha: A clássica resenha, sempre pedida na faculdade, mas sem nenhuma instrução sobre como escrevê-la. Esse texto é referência.
  • As 4 qualidades essenciais de um texto: As 4 qualidades que todo texto deve ter para ser considerado bom.
  • 16 conselhos Borgeanos sobre como NÃO escrever: O grande escritor Jorge Luis Borges dá valiosos conselhos que devemos evitar na hora de escrever.
  • 10 formas de escrever um primeiro parágrafo sedutor: O primeiro parágrafo é o seu cartão de visitas. É muito fácil perder um leitor por causa de um início de texto ruim. Aprenda a evitar isso.
  • Como escrever um conto: O conto é um dos gêneros literários mais difíceis, segundo vários autores. Aqui você encontra algumas dicas sobre como escrevê-lo.
  • Como escrever argumentos fortes: Uma teoria interessante sobre os níveis de argumentação, muito válida tanto para textos quanto para fala.
  • Verbos no infinitivo e pronomes átonos: como acentuar?: Uma regra de acentuação bem útil para não errar mais nos casos de “ajudá-lo”, “mantê-lo” ou “bani-lo”.

Hoje começo a lhe apresentar um guia com algumas dicas que vão melhorar sua escrita.

Porém, antes de começar a escrever de verdade, há algumas perguntas que devem ser feitas. Você consegue responder a todas elas?

  1. Como devo chamar o leitor? Qual a profissão? A média de idade? Sexo? Renda? Conheça quem vai ler seu texto antes mesmo de tê-lo escrito;
  2. Que pronomes e tempos verbais devo usar? Aqui no blog eu uso o pronome “você” e o tempo verbal “Presente do Indicativo”, mas isso depende do tipo de texto que você quer escrever: se é pessoal e informal, se é impessoal e formal, pessoal ou formal ou alguma outra variação;
  3. Qual será minha atitude em relação ao texto? Você quer se mostrar envolvido? Irônico? Indiferente? Divertido? Quer julgar uma situação?
  4. Quanto do assunto eu quero abordar? É impossível fazer um texto que fale tudo sobre algum assunto. Você tem que saber quanto você quer (ou consegue) aprofundar, antes de começar escrever;
  5. Pesquisei o bastante sobre o assunto e tenho experiência suficiente para escrever de forma inteligente? Não adianta escrever sobre algo que não sabemos, não se esqueça de pesquisar sobre o seu assunto;
  6. Há alguém que eu possa entrevistar para saber mais sobre o assunto ou para citar no texto? Não perca a oportunidade de citar alguma autoridade no assunto do seu texto. Seu ganho de credibilidade é enorme;
  7. Qual é o ponto único do meu texto? Um texto de não-ficção de sucesso deve deixar o leitor com um pensamento provocativo que ele ou ela não tinha antes. Eu não disse dois pensamentos, ou cinco — apenas um.

Quer aprender ainda mais sobre como escrever melhor? Invista em sua carreira e faça o curso online de Redação e Escrita, um dos melhores do Brasil!

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