Em um post anterior, no qual falamos da Moderna Gramática Portuguesa, de Evanildo Bechara, atualizada conforme o novo Acordo Ortográfico, várias pessoas solicitaram a indicação de uma gramática que fosse mais clara, fácil e objetiva para alunos dos ensinos fundamental e médio, ou mesmo para quem vai fazer concurso e prefere estudar através de um livro com linguagem mais acessível.

Pois bem, a Gramática Escolar da Língua Portuguesa, do professor Bechara, vem para suprir essa demanda por um manual que seja simples e rico em exercícios, sem deixar de lado o estudo profundo do português.

Essa gramática, segundo a editora, visa preparar o leitor para utilizar com eficiência e correção, falando ou escrevendo, esse instrumento maravilhoso e fundamental de comunicação, a linguagem humana.

Ela traz exercícios de fixação dos conceitos apresentados na parte teórica, um capítulo especial sobre compreensão e interpretação de textos e, no final da obra, um índice de assuntos, para auxiliar a consulta dos estudantes.

Os capítulos estão numa ordem muito lógica, que auxiliam no estudo e na consulta por temas específicos. Veja:

  1. Oração simples, seus termos e representantes gramaticais: Introdução: Fundamentos da teoria gramatical, Capítulo 1: Sujeito e predicado, Predicado e seus outros termos constitutivos e Expansões do nome e do verbo.
  2. As unidades do enunciado: formas e empregos: Substantivo, Adjetivo, Artigo, Pronome, Numeral, Verbo, Advérbio, Preposição, Conjunção e Interjeição.
  3. Orações complexas e grupos oracionais: A subordinação e a coordenação – A justaposição, As chamadas orações reduzidas e As frases: enunciados sem núcleo verbal.
  4. Concordância, regência e colocação : Concordância nominal, Concordância verbal, Regência e Colocação (Apêndice: Figuras de sintaxe e vícios de linguagem).
  5. Estrutura das unidades: Elementos estruturais das palavras, Renovação do léxico e Lexemática.
  6. Fonemas: valores e representações. Ortografia: Fonética e fonologia, Ortoepia, Prosódia, Ortografia (Apêndices: Algumas normas para abreviaturas usuais e Grafia certa de certas palavras) e Pontuação.
  7. Para além da Gramática: Noções elementares de estilística, Noções elementares de versificação, Breve história externa da língua portuguesa e Compreensão e interpretação de textos (com exercícios resolvidos).

O capítulo intitulado Grafia certa de certas palavras (p. 644-653) e os exercícios de compreensão e interpretação intitulados Análise de textos fragmentados (p. 700-704) foram preparados pelo Professor Márcio Gonçalves Coelho.

Também é importante ressaltar que é uma obra que não termina em si mesma, já que o estudante ou leitor interessado em aprofundar em discussões teóricas está permanentemente convidado a consultar a Moderna Gramática Portuguesa, destinada, essa sim, a profissionais e estudantes de nível superior.

Em um artigo anterior sobre indicações de gramáticas da língua portuguesa, muita gente perguntou se já havia alguma gramática que incorporasse as novas regras estabelecidas pelo Acordo ou Reforma Ortográfica.

Naquele momento, ainda não havia nenhuma gramática atualizada, mas agora acaba de ser lançada a Moderna Gramática Portuguesa, de Evanildo Bechara, atualizada pelo novo Acordo Ortográfico.

Essa ótima obra, que traz toda a credibilidade do professor Evanildo Bechara, um dos maiores especialistas do português, já está na sua 37ª edição e é hoje a mais completa da língua portuguesa. Ela é reconhecida no Brasil e no exterior desde a sua primeira edição e sem dúvida é a gramática mais indicada para estudantes a partir do ensino médio e para quem vai prestar concursos e precisa de uma boa gramática atualizada.
Gramática atualizada - Acordo Ortográfico

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Alguns dados técnicos:

  • Editora: Nova Fronteira
  • Autor: Evanildo Bechara
  • Número de páginas: 672
  • Acabamento: Brochura
  • Formato: Médio

Recentemente, o leitor Elias leite enviou-me uma questão bastante pertinente quanto aos Advérbios e Pronomes Indefinidos. A dúvida foi a seguinte (fiz pequenas adaptações para o contexto do post):

Em caso de dúvida quanto à classificação de uma palavra, prevalece o critério mecânico? Por critério mecânico quero dizer guiar-se simplesmente por regras, ignorando o aspecto do significado (semântico).

Explicando: Eu estudava uma gramática, na parte dos advérbios, onde as autoras (Maria Aparecida Paschoalini e Neuza Terezinha Spadoto) quiseram expor a diferença entre pronome indefinido e advérbio. Eis os exemplos e definições que puseram:

Advérbio: refere-se a um verbo, adjetivo ou a outro advérbio e não sofre flexões.

ex.: Eu corri muito. (No caso, “muito” é o advérbio)

Pronome indefinido: relaciona-se a um substantivo e sofre flexões.

ex.: Eu corri muitos quilômetros (No caso, “muitos” é o pronome indefinido. Referiu-se ao substantivo quilômetros e variou em número).

Foi aí que eu “encasquetei”.

Para mim, “eu corri muito” é um exemplo dúbio, que tanto pode significar que eu corri intensamente, como pode significar que corri muitos quilômetros, dependendo de quem fale (eu conheço corredores). Ou seja, se levarmos em conta o critério semântico, em “eu corri muito”, “muito” pode muito bem ser um pronome indefinido.

Mas o que a explicação das autoras me diz é que o critério “mecânico” (como eu o chamo — seria critério sintático?) prevaleceu sobre tudo, ou seja “muito”, no primeiro exemplo, é advérbio sobretudo porque está relacionado ao verbo e porque não varia. E ponto final.

Em outra gramática (Nancy Aragão), exemplos parecidos:

Ela trabalha muito.
Ela cresceu bastante.

Novamente, “tascaram” lá como advérbios, cresceu e bastante.

Observe que as frases acima funcionam da mesma forma como os exemplos anteriores, ou seja, têm sentidos dúbios.

  • Na frase “Ela trabalha muito”, “trabalha muito” pode significar intensidade (pessoa que trabalha intensamente, não faz “corpo mole”) ou quantidade (por exemplo, uma pessoa que trabalha doze horas por dia).
  • Também na frase “Ela cresceu bastante”, “cresceu bastante” pode significar intensidade (cresceu bastante num curto espaço de tempo) ou quantidade (quando uma pessoa não vê outra há muito tempo e admira-se de quanto esta pessoa cresceu).

Então, ver estes exemplos me faz chegar à conclusão de que, aparentemente, o critério “mecânico” (me dê o nome técnico disso, por favor) prevalece, afinal.

Pergunto somente isto, no momento: em última instância, o critério “mecânico” prevalece?

E abaixo segue minha resposta ao Elias. Perceba que essa é uma questão bem complicada da língua e alunos de escola não devem se preocupar com coisas assim, que são direcionadas para quem vai fazer Concursos Públicos.

Primeiramente, quero te falar sobre um conceito muito falado hoje em linguística que chama-se Gramática Tradicional (GT). Esse conceito refere-se à tradição entre os gramáticos mais antigos de querer normatizar, impôr regras fixas à língua.

Como sabemos, toda a língua é viva e evolui, modifica-se o tempo todo nas relações entre os falantes. As gramáticas normativas, que são as gramáticas escritas sob o conceito da GT, são justamente essas que priorizam o que tu chamas “critério mecânico”, o que os linguistas costumam chamar de normas fixas, ou critérios tradicionais, ou relativos à Gramática Tradicional.

Em oposição a essas gramáticas normativas, existem as gramáticas descritivas. Essas, diferentemente das primeiras, fazem uso das regras, mas costumam deixar brechas para aspectos que a GT não explica direito. Isto é, as gramáticas descritivas são mais abertas, menos rígidas e admitem variações relacionadas aos usos da língua.

Pois bem, dito isso, já deu pra perceber que essas gramáticas que tu consultou (desculpe não conjugar o verbo, acho “consultaste” uma forma muito pedante para um e-mail, hehe) são do tipo normativo; tu encontrou, de forma muito inteligente, uma das coisas que elas não explicam. Isso existe pelo simples fato delas serem falhas desde sua criação, ao quererem fixar algo vivo como uma língua.

Então, advérbio ou pronome indefinido? Ao consultar a melhor gramática descritiva que conheço, A Nova Gramática do Português Contemporâneo, do Celso Cunha e Lindley Cintra, encontrei a seguinte observação na parte de apresentação dos advérbios:

Sob a denominação de ADVÉRBIOS reúnem-se, tradicionalmente, numa classe heterogênea, palavras de natureza nominal e pronominal com distribuição e funções às vezes muito diversas. Por esta razão, nota-se entre os lingüistas modernos uma tendência de reexaminar o conceito de advérbio, limitando-o seja do ponto de vista funcional, seja do ponto de vista semântico. Bernard Pottier chega mesmo a eliminar a denominação de seu léxico lingüístico (Cf. Introduction à l’étude de la morphosyntaxe espagnole, 3.ed. Paris, Ediciones Hispanoamericanas, 1964, p.78.)

Ou seja, há divergências até entre os linguistas, sendo que um deles disse que sequer existem advérbios.

Ok, essa é uma resposta científica, mas na prática, em provas, como fica? Infelizmente, todo o sistema de ensino é regido pelas regras impostas pelas gramáticas normativas. Ainda hoje, um aluno que não souber (!) diferenciar um pronome indefinido de um advérbio, será considerado, no mínimo, não competente.

Então, depois de tudo isso, sinto em afirmar que sim, em última instância, o critério mecânico, o critério normativo, prevalece.

Tabela de regras do uso do hífen

Demorei, mas finalmente atualizei nossa tabela com as regras de uso do hífen conforme o Acordo Ortográfico. Usem e abusem.

Já vi centenas de conjugadores de verbos pela internet. A maioria funciona direitinho, conjuga o que você quiser em português e pronto.

Tudo bem, nada de mal com isso. Mas e se tivéssemos um conjugador com um layout agradável, que conjugasse em dois idiomas (além do português) e apresentasse uma lista — a conhecida tag cloud, ou nuvem de tags — dos verbos mais pesquisados?

Verbomatic - O melhor conjugador de verbos da internet!

Esse é o Verbomatic, o melhor conjugador de verbos — regulares e irregulares, claro — que já vi. Vale a pena deixar nos favoritos e indicar para os amigos (ou alunos).

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