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	<title>Português? É fácil! &#187; Português para Concursos</title>
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		<title>Português para Concursos: Pronome Indefinido ou Advérbio?</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Mar 2009 17:27:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Prof. André</dc:creator>
				<category><![CDATA[Gramática]]></category>
		<category><![CDATA[Coisas do Português]]></category>
		<category><![CDATA[Macetes de português]]></category>
		<category><![CDATA[Português para Concursos]]></category>

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		<description><![CDATA[Recentemente, o leitor Elias leite enviou-me uma questão bastante pertinente quanto aos Advérbios e Pronomes Indefinidos. A dúvida foi a seguinte (fiz pequenas adaptações para o contexto do post): Em caso de dúvida quanto à classificação de uma palavra, prevalece o critério mecânico? Por critério mecânico quero dizer guiar-se simplesmente por regras, ignorando o aspecto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Recentemente, o leitor Elias leite enviou-me uma questão bastante pertinente quanto aos <strong>Advérbios</strong> e <strong>Pronomes Indefinidos</strong>. A dúvida foi a seguinte (fiz pequenas adaptações para o contexto do post):</p>
<p>Em caso de dúvida quanto à classificação de uma palavra, prevalece o critério mecânico? Por critério mecânico quero dizer guiar-se simplesmente por regras, ignorando o aspecto do significado (semântico).</p>
<p>Explicando: Eu estudava uma gramática, na parte dos advérbios, onde as autoras (Maria Aparecida Paschoalini e Neuza Terezinha Spadoto) quiseram expor a diferença entre pronome indefinido e advérbio. Eis os exemplos e definições que puseram:</p>
<blockquote><p><strong>Advérbio</strong>: refere-se a um verbo, adjetivo ou a outro advérbio e não sofre flexões.</p>
<p>ex.: Eu corri muito. (No caso, &#8220;muito&#8221; é o advérbio)</p></blockquote>
<blockquote><p><strong>Pronome indefinido</strong>: relaciona-se a um substantivo e sofre flexões.</p>
<p>ex.: Eu corri muitos quilômetros (No caso, &#8220;muitos&#8221; é o pronome indefinido. Referiu-se ao substantivo quilômetros e variou em número).</p></blockquote>
<p>Foi aí que eu &#8220;encasquetei&#8221;.</p>
<p>Para mim, &#8220;eu corri muito&#8221; é um exemplo dúbio, que tanto pode significar que eu corri intensamente, como pode significar que corri muitos quilômetros, dependendo de quem fale (eu conheço corredores). Ou seja, se levarmos em conta o critério semântico, em &#8220;eu corri muito&#8221;, &#8220;muito&#8221; pode muito bem ser um pronome indefinido.</p>
<p>Mas o que a explicação das autoras me diz é que o critério &#8220;mecânico&#8221; (como eu o chamo — seria critério sintático?) prevaleceu sobre tudo, ou seja &#8220;muito&#8221;, no primeiro exemplo, é advérbio sobretudo porque está relacionado ao verbo e porque não varia. E ponto final.</p>
<p>Em outra gramática (Nancy Aragão), exemplos parecidos:</p>
<blockquote><p>Ela trabalha muito.<br />
Ela cresceu bastante.</p></blockquote>
<p>Novamente, &#8220;tascaram&#8221; lá como advérbios, cresceu e bastante.</p>
<p>Observe que as frases acima funcionam da mesma forma como os exemplos anteriores, ou seja, têm sentidos dúbios.</p>
<ul>
<li>Na frase “Ela trabalha muito”, “trabalha muito” pode significar intensidade (pessoa que trabalha intensamente, não faz “corpo mole”) ou quantidade (por exemplo, uma pessoa que trabalha doze horas por dia).</li>
<li>Também na frase “Ela cresceu bastante”, “cresceu bastante” pode significar intensidade (cresceu bastante num curto espaço de tempo) ou quantidade (quando uma pessoa não vê outra há muito tempo e admira-se de quanto esta pessoa cresceu).</li>
</ul>
<p>Então, ver estes exemplos me faz chegar à conclusão de que, aparentemente, o critério “mecânico” (me dê o nome técnico disso, por favor) prevalece, afinal.</p>
<p>Pergunto somente isto, no momento: em última instância, o critério “mecânico” prevalece?</p>
<p>&#8211;</p>
<p>E abaixo segue minha resposta ao Elias. Perceba que essa é uma questão bem complicada da língua e <strong>alunos de escola não devem se preocupar com coisas assim</strong>, que são direcionadas para quem vai fazer <strong>Concursos Públicos</strong>.</p>
<p>&#8211;</p>
<p>Primeiramente, quero te falar sobre um conceito muito falado hoje em linguística que chama-se <strong>Gramática Tradicional</strong> (GT). Esse conceito refere-se à tradição entre os gramáticos mais antigos de querer normatizar, impôr regras fixas à língua.</p>
<p>Como sabemos, toda a língua é viva e evolui, modifica-se o tempo todo nas relações entre os falantes. As gramáticas normativas, que são as gramáticas escritas sob o conceito da GT, são justamente essas que priorizam o que tu chamas &#8220;critério mecânico&#8221;, o que os linguistas costumam chamar de normas fixas, ou critérios tradicionais, ou relativos à Gramática Tradicional.</p>
<p>Em oposição a essas gramáticas normativas, existem as <strong>gramáticas descritivas</strong>. Essas, diferentemente das primeiras, fazem uso das regras, mas costumam deixar brechas para aspectos que a GT não explica direito. Isto é, as gramáticas descritivas são mais abertas, menos rígidas e admitem variações relacionadas aos usos da língua.</p>
<p>Pois bem, dito isso, já deu pra perceber que essas gramáticas que tu consultou (desculpe não conjugar o verbo, acho &#8220;consultaste&#8221; uma forma muito pedante para um e-mail, hehe) são do tipo normativo; tu encontrou, de forma muito inteligente, uma das coisas que elas não explicam. Isso existe pelo simples fato delas serem falhas desde sua criação, ao quererem fixar algo vivo como uma língua.</p>
<p>Então, advérbio ou pronome indefinido? Ao consultar a melhor gramática descritiva que conheço, <em>A Nova Gramática do Português Contemporâneo</em>, do Celso Cunha e Lindley Cintra, encontrei a seguinte observação na parte de apresentação dos advérbios:</p>
<blockquote><p>Sob a denominação de ADVÉRBIOS reúnem-se, tradicionalmente, numa classe heterogênea, palavras de natureza nominal e pronominal com distribuição e funções às vezes muito diversas. Por esta razão, nota-se entre os lingüistas modernos uma tendência de reexaminar o conceito de advérbio, limitando-o seja do ponto de vista funcional, seja do ponto de vista semântico. Bernard Pottier chega mesmo a eliminar a denominação de seu léxico lingüístico (Cf. <em>Introduction à l&#8217;étude de la morphosyntaxe espagnole</em>, 3.ed. Paris, Ediciones Hispanoamericanas, 1964, p.78.)</p></blockquote>
<p>Ou seja, há divergências até entre os linguistas, sendo que um deles disse que sequer existem advérbios.</p>
<ul>
<li><a href="http://www.portuguesfacil.net/gramaticas-de-lingua-portuguesa-indicacoes">Veja indicações de gramáticas da língua portuguesa.</a></li>
</ul>
<p>Ok, essa é uma resposta científica, mas na prática, em provas, como fica? Infelizmente, todo o sistema de ensino é regido pelas regras impostas pelas gramáticas normativas. Ainda hoje, um aluno que não souber (!) diferenciar um pronome indefinido de um advérbio, será considerado, no mínimo, não competente.</p>
<p>Então, depois de tudo isso, sinto em afirmar que sim, em última instância, o critério mecânico, o critério normativo, prevalece.
<p></p>
<ul>
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</ul>
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<hr />
<small>Este artigo pertence ao site <a href="http://www.portuguesfacil.net">Português? É Fácil</a> e foi escrito por André Gazola</small></p>
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