Nós já vimos que as orações coordenadas assindéticas são aquelas que, independentes, separam-se através de um sinal de pontuação. Em outras palavras, não há nenhuma conjunção (palavrinhas como “e”, “mas”, “quando”) que ficam entre elas.

Hoje vamos aprender sobre outro tipo de oração: as coordenadas sindéticas aditivas.

Antes de mais nada, vale dizer que a diferença entre as orações assindéticas e as orações sindéticas é que existe uma conjunção entre elas. Como assim professor? Vamos ver um exemplo de assindética:

Gosto de comer, cantar, dançar.

Note que o único separador é a vírgula. Exemplo de sindética:

Gosto de comer, mas não gosto de fazer exercício.

Repare que entre as duas orações existe uma palavra destacada: “mas”. É isso que chamamos de conjunção, uma palavra que junta duas orações.

Entendido até aí?

Dependendo do tipo da conjunção é que se classificam as orações. No caso das orações sindéticas aditivas, precisamos de conjunções aditivas. Quais são elas? Só duas: e, nem. Aos exemplos!

Você tem porte físico de zagueiro e é muito bom nas bolas altas.

Não durmo, nem assisto televisão, nem jogo baralho e muito menos pulo a cerca, querida!

Note como as palavras destacadas servem para interligar as várias orações. Quando encontramos o “e” ou o “nem” em uma frase, pode ter certeza de que as orações são do tipo sindético aditivo.

Orações e suas respectivas classificações são um trauma que a maioria de nós adquiriu na escola.

Coordenadas sindéticas aditivas, adversativas, substantivas subjetivas, relativas e uma infinidade de outros nomes que, para um aluno, são conceitos abstratos e sem utilidade nenhuma.

Na escola, deve-se aprender a usar a língua, não sobre a sua estrutura. Por isso, vamos começar de outro jeito, olhando para as frases abaixo:

Joãozinho saiu logo, estava atrasado.

Meu pai foi trabalhar. Chovia pela manhã.

Não fomos ao casamento; mandamos um presente.

Os termos destacados são verbos. É através deles que separamos as orações. Em cada uma das frases temos duas orações e cada uma delas tem um verbo.

Tudo bem até aí?

Agora vamos reparar no elemento que separa cada oração. Na primeira, é a vírgula; na segunda, o ponto; na terceira, o ponto-e-vírgula.

Nós chamamos esse elemento de articulador.

Por quê? Você já deve ter ouvido falar que o ser humano tem articulações. Elas ligam as partes do nosso corpo, não é? Assim:

Os articuladores são responsáveis por ligar duas orações, assim como as articulações são responsáveis por ligar duas partes do nosso corpo.

Seu professor é antigo? Ele deve ter muitos articuladores!

Seu professor é antigo? Ele deve ter muitos articuladores!

Existem vários elementos (além da pontuação) que servem como articuladores, eles costumam ser chamados de conjunções. Mas esse é assunto pra outro post.

O que precisamos lembrar agora é:

Quando temos duas orações, lado a lado, ligadas por um articulador de pontuação (vírgula, ponto-e-vírgula ou ponto) estamos em frente a uma oração coordenada assindética.

Por que esse nome feio?

Coordenada, pois as orações estão ordenadas lado a lado. Assindética, pois não há um síndeto (o mesmo que conjunção) ligando-as.

Complicado? Nem tanto.

Precisa decorar o nome feio? Não deveria; mas se seu professor de português ainda estiver no século passado, paciência.

Mais alguns exemplos de orações coordenadas assindéticas:

Cheguei, vi, venci. (Júlio César)

Estudei ontem; tenho prova na faculdade hoje.

Não tinha ninguém em casa. Entrei silenciosamente.