Vídeo aula: acentuação que/quê – concordância é proibido/é proibida
Publicado por Prof. André
Hoje, uma aula do programa Nossa Língua Portuguesa, da TV Cultura. Na primeira parte, o professor Pasquale fala do caso de acentuação da palavra que (ou quê) e, na segunda, explica uma questão de concordância nominal nas expressões é proibido/é proibida.
Mais abaixo segue a transcrição da aula para quem não puder ver o vídeo ou desejar ter um material sempre a mão.
Transcrição da aula
Primeira parte: Quando é que se coloca acento na palavra que?
A palavra que você sabe que é uma sílaba só, é um monossílabo. E os monossílabos têm acento quando terminam em “A”, quando terminam em “E”, quando terminam em “O”, quando terminam em “AS”, “ES”, “OS”.
Mas é preciso que sejam tônicos.
Então, por exemplo: pá, pé, pó, vá, vê, nó, nós, mês, pés, pás — não paz, antônimo de guerra, pás, plural de pá. Tudo isso tem acento. Monossílabos tônicos terminados em “A”, “E”, “O”, “AS”, “ES”, “OS”, têm acento.
Acontece que a palavra que nem sempre tem acento porque nem sempre funciona como monossílabo tônico. Aliás, quase sempre funciona como monossílabo átono:
“Eu quero que você me diga”
“Eu quero que você me diga”
“Eu quero que você me diga”
Note que esse que é lido como qui; é fraquinho, quase não se ouve, quase não se percebe.
“Eu quero qui você me diga”
“Eu quero qui você me diga”
Esse “e” é átono, tanto é átono que vira “i”. A palavra que — no caso uma conjunção, está aí unindo orações — é um monossílabo átono. E se é um monossílabo átono não tem tonicidade, não tem força. Nem pensar em colocar acento.
Mas eu disse que às vezes a coisa é diferente. Eu vou mostrar a você uma canção, uma canção muito conhecida, uma canção que já apareceu aqui no Nossa Língua Portuguesa para um outro assunto. Marisa Monte, por favor, cante pra gente.
Bebida é água
Comida é pasto
Você tem sede de quê?
Você tem fome de quê?
“Você tem sede de quê? Você tem fome de quê?”. Você acha que esse quê é dito, é pronunciado como aquele outro que que eu mencionei antes? Aquele que assim: “Eu quero que você me faça um favor”, “Eu quero qui…”. Esse “que” fraquiiinho que vira “qui”, que quase não se ouve?
Claro que não.
Esse quê da canção que a Marisa cantou pra nós é quê. É a última palavra da frase, e é tônico, é quê. “Você tem fome de quê?”
Então, se é tônico, passa a ser um monossílabo tônico. E monossílabos tônicos, como eu disse, qual é a regra mesmo? Terminando em “A(s)”, “E(s)”, “O(s)”, o que acontece? Acento. No caso, acento circunflexo porque o som é fechado. “Você tem sede de quê? Você tem fome de quê?”
Uma dica super concreta: a palavra que sendo a última da frase acaba sendo tônica, acaba virando tônica; e aí o acento é de lei.
Vamos ouvir uma outra canção pra ver o que acontece. Vamos lá:
Porque eu só faço com você
só quero com vocêSó gosto com você
Adivinha o quê?
A mesma história. O Lulu Santos cantou aí “Adivinha o quê?” E aí vem um quê que é tônico, que é forte, que é a última palavra da frase, transforma-se num monossílabo tônico e tem acento.
Uma última dica, bem rapidinho.
Ela tem um quê de…
Ela tem um quê…
Ela tem um ar…
A palavra quê, no caso, vira substantivo e é sinônimo da palavra ar, nesse sentido figurado:
Ela tem um quê…
Ela tem um ar…
Ela tem um jeito…
E aí, sendo substantivo, claro que é monossílabo tônico, claro que leva acento.
Ela tem um quê de poderosa.
Ela tem um quê de misteriosa.
Esse quê, com esse significado, também recebe acento. É isso.
—
Segunda parte
Você vai a um edifício comercial, a uma sala de alguém que você não conhece, uma coisa mais formal. Uma tabuleta ali: É proibido entrada.
Numa outra sala: É proibido a entrada.
Numa outra sala: É proibida a entrada.
E numa outra sala: É proibida entrada.
E aí você descobre que é proibido tentar entender, porque a confusão é tão grande que pelo amor de Deus, né…
Aliás o povo também se atrapalha um pouco, vamos ver o que acontece:
[Entrevista com transeuntes, perguntando qual seria a forma certa]
E aí, você fez a conta? Eu não fiz.
A produção revisou que no primeiro caso [É permitido/permitida a entrada?] houve empate, e no segundo caso [É proibido/é proibida] parece que houve uma vitória, mas eu já esqueci de quem foi. Não importa.
Importa que isso realmente é complicado, mas é fácil entender o funcionamento da coisa.
Como é que você diz, naquele dia de calor, muito calor, aquele primeiro gole de cerveja? Como você fala?
Cerveja é bom.
Ou num dia de frio.
Sopa é bom.
E se você disser “A sopa…”, ou “A cerveja…”? O que é que você vai dizer?
A sopa é boa.
A cerveja é boa.
Esta sopa é boa.
Esta cerveja é boa.
Nossa sopa é boa.
Nossa cerveja é boa.
Sua sopa é boa.
Sua cerveja é boa.
Mas “Cerveja é bom”, “Sopa é bom”.
Quando se generaliza, quando não se determina, não se faz a concordância, usa-se o masculino — no caso “bom” — masculino com valor genérico, com valor neutro.
Então é isso. Se “Sopa é bom”, se “Cerveja é bom”:
Entrada é proibido.
É proibido entrada.
Não é permitido entrada.
Se não existe o artigo — no caso, não se diz “A entrada”, ou não se usa nenhum outro determinante, um pronome, por exemplo: “Esta entrada”, “Sua entrada”, “Minha entrada” — se você diz “Entrada”, a seco, “Entrada”, não há a concordância.
Entrada é proibido.
É permitido entrada.
Não é permitido entrada.
Cerveja é bom.
É bom cerveja.
Se você diz “A cerveja é boa”, “A sopa é boa”:
A entrada é permitida.
A entrada é proibida.
É proibida a entrada.
Não é permitida a entrada.
Resumindo:
Entrada é proibido.
É permitido entrada.
A entrada é proibida.
É proibida a entrada.
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29 julho de 2008 as 8:38
Amigos do Português Fácil gostaria de agradecer a inciativa de vocês por este belo trabalho. Atualmente estudo para concursos públicos e leio diariamente seus e-mail a respeito da língua portuguesa. Parabéns a vocês todos. Gostaria de aproveitar a oportunidade e sugerir a vocês para colocar no final de cada e-mail um exercicio com algumas poucas questões e no final o gabarito das mesmas, assim poderiamos testar de forma mais profunda nosso conhecimento. Obrigado
9 dezembro de 2008 as 11:36
Olá!!
Proibida entrada está errado né?????
;)
27 abril de 2009 as 14:46
Parabéeens pelo trabalho de vcs me ajudaram muito.
15 agosto de 2009 as 19:13
Ótima essa dica do que/quê.
1 março de 2010 as 18:40
Prezados,
Está ótima a explicação sobre o uso do “que”, mas continuo com uma dúvida:
Nos casos “Para que perder tempo descansando, se ela estava ótima?” e “E para que ela havia tomado aquele remédio?” o “que” leva ou não o acento?
Entendo que nesses dois casos o “que” é tônico, mas ele não se encaixa em nenhum dos exemplos dados pelo professor em que o “que” é acentuado no meio da frase.
obrigada,
abçs,
Debora.
7 abril de 2010 as 10:06
Olá! Tenho as mesmas dúvidas que a Debora Fleck, somadas a uma outra: quando construo a seguinte frase: “O que?” Devo acentuar a palavra “que”?
No meu caso, a frase é título, um tópico dentro de um manual. É o tópico onde explicarei do que trata esse manual. Quero utilizar esse título mas não estou convencido de que devo acentuá-lo. Por favor, vocês podem me ajudar? Muito obrigado!
Abraços.
George
1 junho de 2010 as 12:34
Gostaria de receber atualizações/ comentários sobre a língua portuguesa. Adorei o site!
9 julho de 2010 as 23:24
Obrigada pelas dicas ..
Gostaria de receber atualizaçoes da língua portuguesa.
3 setembro de 2010 as 23:27
Muito obrigado ! me ajudou muito .. fique com deus
19 setembro de 2010 as 10:09
No caso da acentuação, ou não, do quê, qual é o correto nesta frase: Para que ele quer fazer isso? Será “para quê” ou “para que”?
obrigada.
28 outubro de 2010 as 21:25
uma aula perfeitamente ensinada
q abriu minha mente
17 maio de 2011 as 15:50
Então quando não há artigo nos termos “proibido, necessário, permitido” ficam invariáveis??? mesmo quando antecedidos de substantivos no plural??
Ex: Não é permitido rasuras no livro ou
Não são permitidas rasuras no livro.
Qual é o correto???